De uns tempos para cá, o mundo começou a “descer do ônibus” do crescimento a qualquer custo. O Brasil lançou o Programa Brasileiro do Álcool (Pró-Álcool), que não deu certo. Agora, vem o biodiesel com a esperança de ajudar a preservar a natureza e trazer recursos financeiros para o País, já que o petróleo deve acabar, segundo especialistas, e o consumo de energia vai continuar a crescer.
A ideia de muitos pesquisadores e novas empresas é começar a desenvolver projetos para a produção do biodiesel e aguardar as oportunidades. Num pequeno espaço de tempo, o restante do mundo poderá precisar deste produto e os brasileiros estarão de braços abertos para comercializar. No Espírito Santo, surge uma ideia alternativa. É o biodiesel a partir do pinhão manso.

A soja, produzida no Centro Oeste brasileiro, se divide entre fonte de combustível e alimento. Como o Brasil deverá ser o celeiro do mundo, conforme apontam as empresas do agronegócio, a sua utilização do grão como combustível deverá ficar limitada. A proposta idealizada no estado do Espírito Santo é a extração de óleo a partir de algumas oleaginosas como pinhão manso (matéria-prima principal), o girassol e etanol da cana de açúcar, para a produção de biodiesel.
Augusto Camello, um dos idealizadores do projeto, explica que a ideia é “contemplar a empresa humanizada com responsabilidade social, fixação do homem à terra, ecologicamente correto, sem perder a visão empresarial de viabilidade econômica e financeira”. O investimento inicial é de cerca de R$ 140 milhões. Ele observa que o pinhão manso produz maior quantidade de óleo por hectare. “Melhor do que a soja que, quando usada, deixa de alimentar milhares de pessoas”. O Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) já conhecem o projeto e demonstraram interesse. Organismos nacionais, entretanto, ainda não se manifestaram até o momento.
A iniciativa pode ser implantada em qualquer parte do território nacional, já que o pinhão manso se adapta a qualquer tipo de solo. De acordo com Camello, nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste são encontradas grandes áreas disponíveis, além dos incentivos fiscais oferecidos. Em se tratando de transporte, o manejo do pinhão manso é o mesmo que o do café, ou seja, rodoviário da produção até a usina e ao embarque nos portos.
O projeto
O projeto capixaba prevê a construção de uma planta de produção de biodiesel modular orgânico de até 100.000 litros/dia, integrada a uma usina orgânica de etanol, com produção de 50.000 litros/dia, dotada de infraestrutura de produção de mudas, laboratório de desenvolvimento de produtividade, escritórios, escola, creche, unidade de saúde, consultório dentário, alojamento e refeitório.
De acordo com Camello, o projeto prevê a implantação do que denominam de Reforma Agrária de Gestão Privada consorciada à unidade industrial e social. Esse procedimento será numa área 2.000 hectares, dividida em terrenos de dez hectares, onde será assentada uma família gestora para cada área. Dos dez hectares, sete serão destinados a plantação de oleaginosas como pinhão manso, consorciado com girassol; dois hectares para a produção de alimentos; e um hectare para cana de açúcar, destinada à produção de etanol, matéria prima para produção de biodiesel. Em cada área gestora será construída uma casa pré-moldada, de 50 metros quadrados, com dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro e toda estrutura de água, esgoto e energia elétrica.
O empreendimento ainda deve contar com o assentamento de 190 famílias, gerando até 500 empregos diretos e 1.000 indiretos. Cada gestor de área terá renda mínima mensal garantida e tudo o que for produzido na área de dois hectares, destinado à produção de alimentos, estará garantido como complemento de renda. O gestor terá, ainda, participação nos lucros da empresa como um associado, em proposta que vai no mesmo sentido à que tem causado polêmica no Governo Federal.
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