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BID AVALIA IMPACTO DOS CUSTOS DE TRANSPORTE NA AMÉRICA LATINA E CARIBE


A atenção para os mercados integrados, que também “promovem a competição, incentivam a inovação, a produtividade e ampliam as opções de escolha de produtos e insumos, tanto para consumidores como para produtores. Esse potencial é hoje reconhecido na maioria dos países da América Latina e Caribe.” A comprovação está no estudo “Desobstruindo as Artérias – O Impacto dos Custos de Transporte sobre o Comércio Exterior da América Latina e Caribe”, desenvolvido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O estudo, desenvolvido por Santiago Levy Algazi, vice-presidente de Setores e Conhecimento, e Antoni Estevadeordal, gerente do Setor de Integração e Comércio do BID, mostra que, nas últimas décadas, os países da América Latina e Caribe avançaram na abertura de seus mercados, “reduzindo barreiras tradicionais ao comércio, como as tarifas de importação”.

A integração comercial, no entanto, ainda tem desafios a enfrentar. “As barreiras tradicionais ao comércio ainda são altas em certos setores, mercados e países da região, ao mesmo tempo em que cresce a importância de outros obstáculos, menos visíveis à integração dos mercados de bens, mão-de-obra e capital”, observa o estudo, que aponta para o desafio de formular políticas comerciais e de integração.

“Desobstruindo Artérias: O Impacto dos Custos de Transporte sobre o Comércio Exterior da America Latina e Caribe” é o primeiro de uma série de estudos que o Setor de Integração e Comércio do BID planeja produzir nessa área. O estudo oferece uma rara visão da importância dos custos de transporte para a região e chama a atenção para a necessidade de uma integração mais ampla e balanceada, que vá além das barreiras tradicionais e incorpore outros temas menos visíveis, mas de importância estratégica crescente para o futuro da integração.

A principal missão do estudo produzido pelo BID “é resgatar, do esquecimento, os tão negligenciados custos não tradicionais do comércio e colocá-los no centro do debate”. A política comercial da região tem sido dominada pela remoção de tarifas e de barreiras não-tarifárias, o que era justificada e esperada em função dos incentivos políticos e da escassez de recursos administrativos. Contudo, deixaram-se no abandono outros custos menos visíveis e politicamente menos atraentes, “mas que vêm adquirindo crescente importância”.

O documento aponta três fatores que influenciaram na mudança da importância desses custos: as reformas comerciais, que reduziram as tarifas e barreiras não tarifárias; as rápidas transformações da economia mundial, como a fragmentação da produção e a importância do tempo nas transações comerciais; e a emergência de grandes economias.




“Para a maioria dos países latino-americanos os custos de transporte são, significativamente, mais altos que as tarifas de importação, tanto para importações como para exportações e particularmente para o comércio intra-regional”. O custo eleva-se tendo em sua ponta o tempo no transporte das mercadorias, que envolve a depreciação e os custos de estoque.

O problema da superação das despesas com o frete frente ao custo das tarifas do comércio exterior é exceção com as exportações intra-regionais do Equador e as exportações do Uruguai para os Estados Unidos. A região, também, gasta quase duas vezes mais que os Estados Unidos nas importações. Os fretes marítimos estão se voltando para o praticado no mundo em desenvolvimento, na contramão dos fretes aéreos.

“Quanto mais pesado for um dólar exportado de um bem, mais altos serão os seus custos de transporte. Os recursos naturais, por exemplo, são tipicamente bens pesados”. O estudo fala que um dólar exportado de minério de ferro pesa varias vezes mais que um dólar exportado de semicondutores e que vale notar que a China não demonstra estar associada a esse tipo de bens, “o que reforça o argumento de que a intensidade de transporte das exportações latino-americanas é um ativo importante na disputa pelos mercados norte-americano e intra-regional”.

O trabalho relata que as despesas da América Latina e Caribe com o frete são mais altas que as praticadas em países desenvolvidos e que é a composição do comércio exterior que explica essas diferenças. Mas não é somente a composição que causa as disparidades. Outro ponto está relacionado à eficiência da infraestrutura, que determina a elevação dos custos de frete da região.

“O que se vê é que as exportações latino-americanas para os Estados Unidos têm despesas de frete que estão em média 70% acima das despesas da Holanda”. Outros pontos são o maior “peso” das exportações latino-americanas, a pouca eficiência das instalações portuárias e o baixo grau de competição entre as empresas transportadoras, que operam nas rotas latino-americanas.

O espaço entre a redução dos custos de transporte na região e o papel das políticas públicas nesse processo, referente às despesas com o frete das importações vindas dos Estados Unidos, mostra que as despesas se reduziriam em 20%, caso a eficiência portuária alcançasse os níveis norte-americanos. “Um corte nas tarifas de importação ou um aumento do grau de competição para patamares também similares ao dos Estados Unidos gerariam reduções adicionais de 9% e 4% por cento, respectivamente”.

A segunda parte sobre o estudo do BID, “Desobstruindo as Artérias – O Impacto dos Custos de Transporte sobre o Comércio Exterior da América Latina e Caribe”, será publicada na próxima segunda-feira (13).