O período de mais de uma década de engavetamento do projeto de implantação do Porto de Barra do Riacho poderá custar caro à economia do Espírito Santo. A demora na construção do terminal, que é citado por muitos como o futuro portuário do Estado, poderá gerar um porto ultrapassado para a movimentação de carga de contêineres, hoje a principal demanda do segmento de comércio exterior.
A busca constante pela redução de custos está mudando a concepção portuária. A direção é para a especialização dos navios, com a utilização de embarcações cada vez maiores e retroáreas de grandes dimensões. E com embarcações cada vez maiores, poucos são os portos no mundo em condição de receber os navios gigantes.
Em setembro último, entrou em operação o supercargueiro dinamarquês Emma Maersk. Com capacidade para 15 mil contêineres, o navio tem condições de transportar a carga de cinco navios Panamax (3 mil contêineres) ou a carga de três navios Post Panamax (5 mil contêineres). Com capacidade para tanta carga, o navio tem calado de 16 metros.
No Brasil, hoje nenhum porto teria condições para receber o supernavio. E Barra do Riacho, mesmo que saísse do papel, nem sonharia com o Emma Maersk, porque seu calado, com a dragagem, seria de 14 metros, no máximo. O futuro portuário do Espírito Santo, em se falando de carga conteinerizada, certamente não é mais Barra do Riacho, que já não é mais a bola da vez.
Vedetes. Embarcações das dimensões do Emma Maersk serão as estrelas da navegação marítima nos próximos 50 anos, aposta o representante dos trabalhadores no Conselho de Autoridade Portuária (CAP), Luiz Fernando Barbosa Santos.
E para que navios deste tamanho possam operar no Espírito Santo é preciso pensar, logo, na construção de um porto de águas profundas. A melhor opção para o novo porto, avalia, é Ponta de Tubarão, junto do Porto de Praia Mole, em Vitória.
A implantação do Porto de Barra do Riacho é um projeto necessário e urgente para aumentar a competitividade dos portos do Espírito Santo. Entretanto, não é mais a solução para a movimentação de contêiner, em se falando de futuro.
O terminal de Barra do Riacho, lembra Santos, é fundamental para receber as embarcações que não podem atracar no Porto de Vitória. Mas o porto de águas profundas precisa ser construído nos próximos cinco anos para impedir que a atividade de comércio exterior perca força.

Dragagem não deu certo: 12 pontos ainda são de área rasa
A dragagem realizada na Baía de Vitória, ainda não foi homologada, embora o trabalho da empresa contratada tenha terminado em março deste ano. E a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) ainda não sabe quando o trabalho de aprofundamento do canal de acesso será homologado pela Capitania dos Portos.
Na batimetria (medição da profundidade dos oceanos e lagos) realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), foram constatados, no canal de acesso, 12 pontos em que a profundidade não atingiu a cota pretendida de 12,5m. Em muitos deles, a parte dragada só permitiu um avanço de profundidade de 10,5m para 11,3m, o que é considerado muito pouco.
Dos 12 pontos em que a profundidade não foi atingida, segundo o presidente da Codesa, Henrique Zimmer, dois precisam ser removidos.
Pedra no meio do caminho. Um dos pontos é uma pedra próxima a um dos pilares da Terceira Ponte. A pedra, segundo Zimmer, não apareceu nas batimetrias anteriores. Em outros pontos em que a profundidade ficou aquém da pretendida foi constatada a presença de areia e lama no fundo do mar.
A pedra, segundo Zimmer, é rolável. Ninguém sabe explicar, com clareza, como a pedra foi parar perto da ponte e nem o acúmulo de areia e lama em vários pontos do canal de acesso, que foi dragado recentemente. As fortes chuvas ocorridas em junho último, são a principal suspeita.
Segundo Zimmer, que participou da última reunião do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), as fortes chuvas e o mar agitado na noite de 2 de julho último, destruíram parcialmente o Terminal de Barcaças da CST Arcelor, em Praia Mole. A força das águas arrancou muitas pedras do terminal, algumas com peso em torno de 5 toneladas.
A forte correnteza pode ter trazido para a Baía de Vitória a areia, a lama e a pedra que está próxima à Terceira Ponte. A Codesa precisa retirar, pelo menos parte da pedra e um bom volume de areia e lama para que a dragagem seja homologada. A companhia só não sabe quando conseguirá contratar a empresa para realizar o serviço.
Conheça o supernavio
Nome: Emma Maersk
Origem: Dinamarca
Comprimento: 397 metros
Largura: 63 metros
Calado (carregado): 16 metros
Capacidade: 15 mil contêineres
Custo estimado: Acima de US$ 145 milhões
Tripulantes: 13
Porto: Opera no maior porto do mundo, o Porto de Rotterdam, na Holanda, onde há 11 guindastes especiais para contêineres trabalhando ao mesmo tempo
Viagem: O maior navio do mundo realizou sua primeira viagem no dia 08 de setembro de 2006
Rotas de operação: Ásia/Europa com um ciclo de 63 dias entre a ida e a volta, visitando, entre outros, portos na China, Japão, Inglaterra, Suécia e Holanda
Pintura: Possui uma pintura de silicone que recobre a parte do casco abaixo da linha d’água, reduzindo a resistência ao avanço e economizando cerca de 1,2 milhões de litros de combustível por ano
Fonte: A Gazeta (10/12/2006)
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